Se haicai fosse uma droga, o haimi seria o princípio ativo. Se fosse um refrigerante, seria o tssss do abrir da tampa. Se fosse uma fruta, seria o sulco que escorre na primeira mordida. Ou ainda, se fosse uma mágica, seria o "Aha!" de quem reconhece o truque. Haja metáfora para explicar o que é o haimi!
Haimi costuma ser traduzido como "sabor do haicai", e é um negócio bem difícil de explicar ou mensurar, mas fácil de sentir. É aquilo que a gente não sabe o que é mas quando damos de cara com um logo dizemos: "É isso! É ele! Que haicai!".
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Foto de fishbulb1022 |
Haimi costuma ser traduzido como "sabor do haicai", e é um negócio bem difícil de explicar ou mensurar, mas fácil de sentir. É aquilo que a gente não sabe o que é mas quando damos de cara com um logo dizemos: "É isso! É ele! Que haicai!".
Chuva de primavera —
Uma criança
Ensina o gato a dançar.
Issa
Uma criança
Ensina o gato a dançar.
Issa
O sabor do haicai nos provoca a participar da cena, a senti-la, com o perdão dos budistas diria que é um satori de bolso, é como disse a sra. Oda "uma provocação transcedental". Difícil de descrever sem parecer piegas ou exagerado. É como tentar descrever o delicioso sabor de uma tangerina madura, falando nem parece tão bom.
Por isso, selecionei alguns haicais para vocês lerem vagarosamente, degustando o sabor refinado da poesia de origem japonesa tão bem cultivado em terras tupiniquins:
"Apesar das várias regras, tem uma coisa intangível, da sensibilidade, que não tem como medir, que a gente chama de haimi, o sabor do haicai."
Alice Ruiz
Por isso, selecionei alguns haicais para vocês lerem vagarosamente, degustando o sabor refinado da poesia de origem japonesa tão bem cultivado em terras tupiniquins:
quando percebi
toda a avenida tinha
se jacarandado
Sérgio Pichorim
último jasmim
primeira azaléia
encontro no jardim
Alice Ruiz
Mesmo com fome,
Não se apressa como as outras
A galinha manca.
Paulo Franchetti
roupa no varal—
a borboleta pousada
na anágua da vovó
Nete Brito
Noite fria e escura.
Na memória, acendo
o candeeiro de meu pai.
Saulo Mendonça
toda a avenida tinha
se jacarandado
Sérgio Pichorim
último jasmim
primeira azaléia
encontro no jardim
Alice Ruiz
Mesmo com fome,
Não se apressa como as outras
A galinha manca.
Paulo Franchetti
roupa no varal—
a borboleta pousada
na anágua da vovó
Nete Brito
Noite fria e escura.
Na memória, acendo
o candeeiro de meu pai.
Saulo Mendonça
E quem buscava um texto mais teórico, me desculpe, quem sabe no próximo...
Leituras recomendadas:
Os 10 desmandamentos do haicai, escrito por Ricardo Silvestrin
Haicai, a insustentável leveza do zen, escrito por Denise Góes
Leituras recomendadas:
Os 10 desmandamentos do haicai, escrito por Ricardo Silvestrin
Haicai, a insustentável leveza do zen, escrito por Denise Góes
Noris, que legal!
ResponderExcluirAdorei ver meu haicai aqui. Surpresa deliciosa.
gostei disso, muito! :)
Eu que agradeço por compartilhar um haicai desses e fico feliz em ver que você atualizou seu blog também! Que 2014 seja um ótimo ano para nós, haijins :D
ExcluirExcelente! Que bom que voltou!
ResponderExcluirE o Posto que Posto? Adoraria vê-lo na ativa novamente, com seus insights literários e bem humorados.
ExcluirAbs!
Sempre sinto um enorme prazer em textos sobre haicai - maravilhoso o seu!
ResponderExcluirE deixo como interação:
Início de janeiro –
Pelo terreiro sem chuva
Nem formigas passam
(Teresa Cristina flordecaju. Piracuruca - Piauí).
Olá, Teresa, obrigado pelo elogio e pelo haicai aqui postado!
Excluir:-D
Bom trabalho na empreitada!
ResponderExcluirValeu, Henrique, é uma honra te ver por aqui novamente :D
ExcluirQue lindos!! Todos!,
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